o mosal

O MOSAL é um coletivo formado por pessoas e entidades de Florianópolis cujo objetivo é influir nas políticas públicas de saneamento básico, assim como promover a conscientização dos cidadãos através de ações e oficinas.
SANEAMENTO DESCENTRALIZADO
ESGOTAMENTO SANITÁRIO

RESÍDUOS SÓLIDOS

segunda-feira, 2 de maio de 2011

OFICINA DE RESÍDUOS SÓLIDOS

CONEXÃO RESÍDUOS SÓLIDOS EM SUA BIBLIOTECA!!!
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OFICINA DE RESÍDUOS SÓLIDOS
MOSAL convida a todos a participar de mais esta oficina!
Análise crítica ao PMISB
Análise crítica do modelo centralizado de saneamento - resíduos sólidos 
Uma visão ecológica: o MODELO DESCENTRALIZADO - RESÍDUOS SÓLIDOS



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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Lixo e esgoto saindo de debaixo do tapete: "Soluções" do modelo de Saneamento Centralizado mostram sua verdadeira cara

LIXO, CHORUME E DEJETOS SÃO DESPEJADOS SOBRE A POPULAÇÃO



O Modelo de Saneamento Centralizado, tanto no que se refere ao Tratamento de Esgotamento Sanitário, como na questão dos Resíduos Sólidos apresentado como solução única por prefeituras e empresários do lixo e grandes obras de ETEs, mostra para que veio de fato!
Não é uma solução, já que não reintroduz os materiais  de volta ao seu ciclo de produção, não respeita microbacias, concentra volumes e não visa a redução, dificultando e encarecendo o manejo de resíduos.

Abaixo as consequências sociais e ambientais desse modelo:
Deslizamento de aterro sanitário na região de Itaquaquecetuba- SP:






 Rompimento do tanque de uma estação de tratamento de esgoto em Niterói  Enxurrada de lama e dejetos deixou 10 pessoas feridas e arrastou mais de 20 carros




Leia abaixo as matérias sobre o assunto:

-Chuva aumenta risco de novos deslizamentos em lixão na Grande SP http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,chuva-aumenta-risco-de-novos-deslizamentos-em-lixao-na-grande-sp,711677,0.htm





-SP: Interdição de aterro em Itaquaquecetuba provoca o caos na coleta de lixo

-Concessionária é multada em R$ 110 mil por vazamento de esgoto em Niterói



Deslizamento em aterro sanitário interdita estrada em SP

iG São Paulo | 25/04/2011 18:35 - Atualizada às 20:49

 O desmoronamento de uma pilha de cerca de 150 toneladas de lixo em um aterro sanitário localizado em um morro na Avenida Nossa Senhora das Graças, em Itaquaquecetuba, interditou a Estrada do Ribeira na manhã desta segunda-feira (25)
Os trinta homens do Corpo de Bombeiros já deixaram o local. Eles apagaram os pequenos focos de incêndio que surgiram depois da explosão e limparam a área. Ainda não se sabe o que causou a explosão.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, que recebeu o chamado às 11h05, houve tempo para a retirada das pessoas do local. Uma explosão causou o deslizamento, mas ninguém se feriu. “O lixo não atingiu as casas próximas e nem os carros”, afirmou o capitão do Corpo de Bombeiros Antônio Joaquim de Oliveira.
Com Agência Brasil





SP: Interdição de aterro em Itaquaquecetuba provoca o caos na coleta de lixo


O GloboPlantão | Publicada em 27/04/2011 às 20h16m


SÃO PAULO - A interdição de um aterro sanitário em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, após um deslizamento de terra seguido de explosão, está provocando o caos na coleta de lixo em cidades do Alto Tietê. Em Ferraz de Vasconcelos, onde 250 toneladas são recolhidas por dia, os oito caminhões que coletam o lixo estão parados na prefeitura e a sujeira se multiplica pelas ruas. Já são dois dias sem coleta e a situação deve piorar.
Em Poá, a situação se repete. Sem lugar para colocar o lixo, os moradores penduraram os sacos nas árvores. Em Suzano, as esquinas estão repletas de lixo, o que atrapalha os pedestres.
Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Poá e Suzano pediram autorização da Companhia de Tecnologia Ambiental do Estado (Cetesb) para enviar o lixo para outros aterros. A Cetesb ainda deve dar uma resposta.
O deslizamento no aterro sanitário de Itaquaquecetuba provocou danos no ar, solo e água e a empresa responsável foi multada em R$ 174 mil, segundo a Cetesb.
A reunião entre representantes da Cetesb, do Ministério Público Estadual e da Pajoan, empresa responsável pelo aterro, chegou ao fim com a proposta de um plano emergencial. O projeto foi apresentado pela Pajoan e prevê a contenção do chorume que está indo para um córrego e a abertura de uma passagem para pedestres no local onde o lixo cedeu.
A reunião foi realizada nesta quarta-feira e durou quatro horas. Dos municípios que levavam o lixo para o aterro, Mogi das Cruzes e Arujá já conseguiram autorização para enviá-lo para o aterro de Santa Isabel.
O carro que, de acordo com moradores da região, passava pelo local na hora do acidente, ainda não foi encontrado. Segundo a Secretaria de Limpeza da cidade, ainda não há previsão para o encerramento dos trabalhos.
A Cetesb só deve concluir o laudo com as causas do acidente nas próximas semanas.


Vazamento de esgoto em Niterói é investigado como crime ambiental
Tiago Rogero - Estadão.com.br – 18.04.11
RIO - O rompimento do tanque de uma estação de tratamento de esgoto em Niterói, no Rio, ocorrido neste domingo, 17, está sendo investigado como crime ambiental pela Polícia Civil. Hoje, um dia depois da enxurrada de lama e dejetos que deixou 10 pessoas feridas e arrastou mais de 20 carros, funcionários da concessionária Águas de Niterói, responsável pela estação, ainda trabalhavam na limpeza de ruas, casas e estabelecimentos.
Fábio Motta/AE
Carros foram arrastados pela enxurrada de dejetos
Peritos da delegacia de Proteção ao Meio Ambiente estiveram na estação, próxima ao Mercado de São Pedro, tradicional entreposto de pescados no bairro Ponta da Areia. Segundo o delegado Fábio Pacífico, a empresa pode ser indiciada, já que o acidente colocou em risco a saúde das pessoas - algumas chegaram a ingerir a água que vazou. "A questão agora é saber se a poluição foi culposa ou dolosa", disse.
De acordo com o diretor da Águas de Niterói, Dante Luvisotto, a empresa vai arcar com os prejuízos de moradores e comerciantes. "Em um ou dois dias deve ficar pronto o laudo com os motivos do acidente, e na próxima semana ou, no máximo, na outra, vamos começar a reconstrução do tanque", disse. Luvisotto garantiu que o serviço de tratamento de esgoto em Niterói não foi afetado.
Entre os feridos, oito foram liberados e dois transferidos do Hospital Estadual Azevedo Lima para o Hospital das Clínicas de Niterói, onde permanecem internados. Segundo o boletim médico, Rosival dos Santos, de 49 anos, sofreu escoriações pelo corpo e fraturou o ombro. Já Romildo Gomes de Souza, de 53 anos, está na Unidade de Vigilância Clínica para um período de observação de 24 horas depois de ter sofrido traumatismo craniano e leves escoriações. Ainda segundo o boletim, ambos não correm risco de morrer.
Concessionária é multada em R$ 110 mil por vazamento de esgoto em Niterói
Cerca de 6 milhões de litros de dejetos tomaram conta das ruas de vizinhança na cidade fluminense no domingo
Priscila Trindade e Tiago Rogero - Estadão.com.br – 20.04.11
RIO - A Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) multaram a concessionária Águas de Niterói em R$ 110 mil pelo vazamento de cerca de 6 milhões de litros de esgoto da Estação de Tratamento Toque-Toque, em parte da cidade da Região Metropolitana do Rio, pois o acidente provocou a poluição do solo e da água, já que "o destino provável" dos dejetos foi a Baía de Guanabara.
Além da multa, foram impostas outras sanções à empresa, que passará por uma auditoria ambiental nas estações de tratamento de esgoto, "em caráter preventivo, para evitar que acidentes semelhantes voltem a ocorrer". A concessionária também será obrigada a instalar duas ecobarreiras em rios que deságuam na Baía de Guanabara e a implantar um programa de recolhimento de lixo flutuante na baía.
Além disso, segundo o Inea, a Águas de Niterói será obrigada a instalar um biodigestor para tratamento de esgoto, em comunidade a ser escolhida. A concessionária informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda não recebeu o comunicado do Inea.
No último domingo, a parede lateral da ampliação da estação, localizada na Ponta d'Areia, cedeu e o esgoto invadiu ruas e arrastou carros da região. O motivo do incidente ainda é investigado. A concessionária afirmou que vai indenizar as pessoas afetadas pelo acidente. Cerca de 10 pessoas ficaram feridas.
Duas pessoas arrastadas pela correnteza de esgoto e dejetos continuam internadas. Rosival dos Santos, de 49 anos, sofreu uma fratura no ombro esquerdo e leves escoriações, e está na enfermaria. Romildo de Souza, de 56, sofreu traumatismo craniano e está em observação da Unidade de Vigilância Clínica.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Caminhos para vencer a miséria


Washington Novaes - O Estado de S.Paulo – 08.04.11
Continua a provocar discussões sob vários ângulos a declaração da presidente Dilma Rousseff há poucos dias, em Belo Horizonte, de que será difícil erradicar totalmente a pobreza do País em quatro anos de seu mandato - um dos objetivos que apresentara enquanto candidata. Segundo o noticiário, dizia o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) naquele momento que o número de pobres (renda per capita mensal de até R$ 140) caíra, entre 2003 e 2009, de 30,4 milhões de pessoas para 17 milhões. O economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, comentava, a propósito (Estado, 29/3), que "a erradicação é inatingível" e seria "mais realista" pensar em reduzir à metade o contingente atual de pobres. Desde o início do Plano Real, a queda já fora de 67%; em oito anos do governo Lula, de 50,6%; e mesmo se até 2014 se reduzir o índice de pobres de 15,3% para 8,6%, ainda teremos 16,1 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza (R$ 142 mensais).
O custo para erradicar totalmente a miséria, estimou Marcelo Neri, ficaria em R$ 22 bilhões anuais - o que trouxe de volta críticas já ouvidas em outros momentos, de que para ter esses recursos bastaria reduzir a "bolsa-banco", os mais de R$ 150 bilhões que o governo federal paga anualmente de juros da dívida, a investidores de outros países ou mesmo daqui, que tomam empréstimos fora para aplicar internamente, beneficiando-se da taxa anual de juros próxima de 12% (quando nos países industrializados está pouco acima de zero). Hoje o custo do Bolsa-Família está em R$ 1,22 bilhão por mês, ou menos de R$ 15 bilhões/ano, cerca de dez vezes menos que a despesa com aqueles juros.
Discussão difícil. Para conceder agora 19,6% de aumento aos 12,9 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa-Família (que reúnem cerca de 40 milhões de pessoas) e "tirar da miséria mais 500 mil famílias cadastradas" - conforme relatou neste jornal Marta Salomon (3/3) - o governo federal fará cortes de R$ 340 milhões em vários outros programas sociais, segundo crítica da senadora Lúcia Vânia (O Popular, 19/3). O ProJovem, por exemplo, que só atende 3,5 milhões dos 55 milhões de jovens possíveis beneficiários, perderá R$ 34,3 milhões; ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil só restarão R$ 250 milhões; R$ 6,21 milhões foram cortados do programa de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças; o sistema que protege o adolescente em conflito com a lei perde R$ 2,5 milhões; o Fundo Nacional de Assistência Social terá um corte de 10% nos gastos opcionais; além da redução de R$ 1,5 bilhão no orçamento do Ministério da Justiça para o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania e para combate a drogas. Sem falar em menos verbas para o Minha Casa, Minha Vida.
E tudo isso sem entrar num terreno ainda mais complicado, que é o da discussão sobre o que seria "nível abaixo da pobreza". Ainda na semana passada (29/3), o caderno Estadão.edu publicou entrevista da reitora da Universidade Harvard, Drew Faust, dizendo que naquela instituição os alunos de famílias com renda anual abaixo de US$ 60 mil (cerca de R$ 100 mil) não pagam anuidade. Aqui, R$ 100 mil/ano é um nível de renda que já situaria as famílias nos estratos mais altos da sociedade, pois a renda média dos que trabalham não chega a R$ 2 mil mensais.
A discussão pode, porém, observar outros parâmetros. Para os relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o nível da miséria está nas famílias com renda abaixo de US$ 2 por dia, ou cerca de R$ 3,40, em torno de R$ 100 mensais. Nesse nível inferior, diz o Programa de Metas para o Milênio, ainda vivem cerca de 850 milhões de pessoas no mundo; 2,5 bilhões não dispõem de saneamento básico e 23% das pessoas "defecam ao ar livre". E vai piorar, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO): até 2025 cerca de 1,8 bilhão de pessoas enfrentarão problemas muito graves de abastecimento de água (teremos mais 80 milhões de consumidores por ano).
Nosso panorama, nessa área, não consola. Segundo o IBGE, 56% dos domicílios brasileiros, com mais de 100 milhões de pessoas, não são ligados a redes de coleta de esgotos (e só 29% dos esgotos coletados recebem algum tratamento); quase 10% dos domicílios não recebem água tratada.
Já o Atlas Brasil, editado pela Agência Nacional de Águas (ANA), informa (Estado, 21/3) que perto de 55% dos municípios brasileiros enfrentarão problemas de escassez de água até 2025. E o País precisa investir R$ 22,2 bilhões para evitar o risco de colapsos. Já o investimento total em água e esgotos é calculado em R$ 70 bilhões, para suprir as atuais deficiências e atender a mais 45 milhões de pessoas até aquela data.
Os Ministérios do Planejamento e das Cidades contestaram as informações do Atlas. Mas a discussão não prosseguiu. Poderia ter entrado também pelo terreno do desperdício de água nas redes de abastecimento das cidades brasileiras, calculado na média em 40% do que sai das estações de tratamento - o que implica perdas de R$ 7,4 bilhões anuais para as empresas distribuidoras, segundo este jornal (8/3).
Sem negar nenhum avanço da última década, ainda assim, sejam quais forem os critérios da discussão do tema da pobreza interna, temos enormes avanços por fazer, para reduzir as taxas de desemprego, o emprego informal, o baixo nível de rendimento da maioria da população, os baixos níveis educacionais, o altíssimo desemprego entre jovens e a alta participação deles nos índices de violência.
É salutar que a presidente da República não se embale em fantasias e admita que ainda são e serão muitas as pedras no caminho da erradicação da pobreza. Mas também é vital que, na concepção das macropolíticas, os avanços na área social não se façam à custa de outros programas sociais decisivos. É possível cortar em áreas mais privilegiadas.