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O MOSAL é um coletivo formado por pessoas e entidades de Florianópolis cujo objetivo é influir nas políticas públicas de saneamento básico, assim como promover a conscientização dos cidadãos através de ações e oficinas.
SANEAMENTO DESCENTRALIZADO
ESGOTAMENTO SANITÁRIO

RESÍDUOS SÓLIDOS

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

ATAQUE CONCATENADO DE EMPREENDIMENTOS E EVENTOS ASSOLA A ILHA


RUMO AO SUL 


Depois de destruído e “imundeado” pelo crescimento desregrado e especulação imobiliária, o norte da ilha passa a fazer parte da lista das paisagens usadas e prontas a serem descartadas.

Turistas mostram-se descontentes com a paisagem degradada e os abutres da especulação rapidamente buscam novos territórios para dar continuidade a seus ganhos, em substituição às terras usurpadas por sua ação predatória.

Os grandes investidores de rapina lançam seus olhos, agora para o sul da ilha, desejosos de infestar a terra com seus empreendimentos e eventos de grande porte. 
Herança maldita da colonização exploratória, que usa, abusa, solapa e descarta, tão presente na cultura política e econômica brasileira, repete-se aqui em Florianópolis de forma requintada.


COLAPSO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS


Ao mesmo tempo, que o plano de saneamento foi desenhado de forma a contemplar os interesses dos empresários do lixo e empreiteiras, desconsiderando as decisões comunitárias, assim como a urgência em se resolver de fato, a questão do saneamento em Florianópolis, o plano diretor é empurrado com a barriga pela PMF, deixando a cidade livre para o concatenado ataque de empreendimentos imobiliários e eventos de grande porte que, sem levar em conta o impacto irreversível que causam, solapam a ilha de forma arrebatadora.
Em impressionante tempo recorde, o sul da ilha sofre a ação predatória do tal "desenvolvimento", que atrai um número elevado de sonhadores desejosos de usufruir das belezas naturais locais, mas que, em seu estado de hipnose consumista, entram para a engrenagem especulativa de uma paisagem que se degrada pela ocupação individualista e exploratória da terra, onde ganham somente as construtoras e os políticos vendidos.
Qualidade de vida de longo prazo não existe em terras pisoteadas, que viram pólo de violência e degradação. Mas a história se repete da forma mais triste.
No Campeche brotam condomínios e pardieiros de boa aparência em áreas de preservação, construtoras drenam o lençol freático, deixando preciosa água jorrar 24 horas por dia, dias a fio, para viabilizar a construção de seu empreendimento. E para completar, um grande evento está programado para acontecer no início do mês de fevereiro.


RIOZINHO


Por que agora se ouve falar do Riozinho como o “point” do momento na televisão? E Florianópolis aparece em novela como tendo muita terra a ser ocupada? Os telespectadores locais sentem-se envaidecidos... Poxa!... Minha terra na TV!!!
É o investimento em marketing das construtoras e empresariado que atuam no mercado imobiliário e de eventos, agindo de forma muito bem planejada e concatenada, já a um bom tempo, com a elite política local. 
Depois de tudo vendido e construído, contudo quem veio de fora vai embora xingando e falando mal, e  a população local ( as pessoas que de fato tem ou criaram vínculo com a terra) fica com a conta a ser paga.


MEGA LIXO DO SHOW

É o caso do mega show internacional programado para fevereiro.
Em São Paulo, o Maeda, que tem espaço de uma grande fazenda para abrigar mega eventos, com equipe fixa, banheiros muito bem planejados, tratamento de esgoto ecológico, com exigente controle do uso dos recursos locais, declarou que não deu conta. O pós mega show deixou um rastro de destruição que deu grande trabalho para recuperação.
Imagine, então, um mega show na praia do Campeche?
Sem infraestrutura nenhuma, sem controle algum de uso de espaço- além de ser um bairro residencial e  a praia, área de preservação.
Ganham os empresários, a “prefeitura” que “aluga” a praia, os músicos, os publicitários e a empresa de bebidas... O transtorno do trânsito, já caótico, a invasão de carros em ruas sem capacidade de absorver o tsunami de quatro rodas, o “day after” ou os “days after” ficam para a população local. A sujeira na areia, as marcas dos baladeiros, as dunas e restingas invadidas e danificadas ficam de lembrança. Além, o que é pior de tudo, do caminho sem volta que se abre...


ATITUDE

É um momento delicado... Muitas pessoas que se dizem preocupadas com a preservação de nossa ilha, de nossas praias, da vida e ecologia são expostas agora a uma grande prova... 
Enfrentam a tentação. 
Olhos brilhantes, falam do tal evento com paixão... o B...H... vem aqui!
É difícil vencer a tentação, não?
Não se conseguir dizer um não a um prazer...

A lição também pode ser a mais dura...
Depois... foi.

Raquel Macruz

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