o mosal

O MOSAL é um coletivo formado por pessoas e entidades de Florianópolis cujo objetivo é influir nas políticas públicas de saneamento básico, assim como promover a conscientização dos cidadãos através de ações e oficinas.
SANEAMENTO DESCENTRALIZADO
ESGOTAMENTO SANITÁRIO

RESÍDUOS SÓLIDOS

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Manifestantes denunciam a Casan em manifestação no bairro dos Ingleses!

Parabéns a todos os organizadores e participantes da manifestação que ocorreu ontem na Praia dos Ingleses!
É indo para as ruas que se conseguem as mudanças!
Denúncias contra os desmandos e ineficiência da Casan devem pipocar por toda a ilha!
Vendem a idéia de que detêm a solução mega para nossos problemas, quando esse mega, além de caro, trás outros tantos mega problemas!
Esta é uma ilha, cidade média, mas tratada ( mal tratada) como mega cidade... 
Temos que pensar soluções descentralizadas mesmo, que contribuam com a consciência de nossos limites,  que ou aceitamos existirem, ou estaremos fadados a qualidade de vida zero em todas as estações.
Parabéns, uma vez mais. 
Abaixo, versão RBS da manifestação.

Raquel Macruz

Manifestantes fecharam rua no bairro dosIngleses, norte da ilha de Santa Catarina
A principal reclamação é a existência de um esgoto a céu aberto no local 
Cerca de 50 pessoas protestaram na manhã desta quinta-feira contra a falta de estrutura do bairro dos Ingleses, norte da ilha de Santa Catarina. A principal reclamação foi a existência de um esgoto a céu aberto, localizado na rua Dom João Becker, no centrinho.

Os manifestantes fecharam a rua com faixas e cartazes, por volta das 9h desta quinta-feira, o que provocou um congestionanento até as proximidades da praia do Santinho. A Polícia Militar esteve no local e as pistas já foram liberadas.

Outro problema apontado pelos moradores foi a rodoviária dos Ingleses, que segundo eles não possui estrutura para que os ônibus parem no local, o que ocasiona constantes congestionamentos.

O trânsito no centrinho dos Ingleses ainda flui lentamente. Caso o problema do esgoto não seja resolvido, os manifestantes ameaçam fazer novos protestos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

ATAQUE CONCATENADO DE EMPREENDIMENTOS E EVENTOS ASSOLA A ILHA


RUMO AO SUL 


Depois de destruído e “imundeado” pelo crescimento desregrado e especulação imobiliária, o norte da ilha passa a fazer parte da lista das paisagens usadas e prontas a serem descartadas.

Turistas mostram-se descontentes com a paisagem degradada e os abutres da especulação rapidamente buscam novos territórios para dar continuidade a seus ganhos, em substituição às terras usurpadas por sua ação predatória.

Os grandes investidores de rapina lançam seus olhos, agora para o sul da ilha, desejosos de infestar a terra com seus empreendimentos e eventos de grande porte. 
Herança maldita da colonização exploratória, que usa, abusa, solapa e descarta, tão presente na cultura política e econômica brasileira, repete-se aqui em Florianópolis de forma requintada.


COLAPSO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS


Ao mesmo tempo, que o plano de saneamento foi desenhado de forma a contemplar os interesses dos empresários do lixo e empreiteiras, desconsiderando as decisões comunitárias, assim como a urgência em se resolver de fato, a questão do saneamento em Florianópolis, o plano diretor é empurrado com a barriga pela PMF, deixando a cidade livre para o concatenado ataque de empreendimentos imobiliários e eventos de grande porte que, sem levar em conta o impacto irreversível que causam, solapam a ilha de forma arrebatadora.
Em impressionante tempo recorde, o sul da ilha sofre a ação predatória do tal "desenvolvimento", que atrai um número elevado de sonhadores desejosos de usufruir das belezas naturais locais, mas que, em seu estado de hipnose consumista, entram para a engrenagem especulativa de uma paisagem que se degrada pela ocupação individualista e exploratória da terra, onde ganham somente as construtoras e os políticos vendidos.
Qualidade de vida de longo prazo não existe em terras pisoteadas, que viram pólo de violência e degradação. Mas a história se repete da forma mais triste.
No Campeche brotam condomínios e pardieiros de boa aparência em áreas de preservação, construtoras drenam o lençol freático, deixando preciosa água jorrar 24 horas por dia, dias a fio, para viabilizar a construção de seu empreendimento. E para completar, um grande evento está programado para acontecer no início do mês de fevereiro.


RIOZINHO


Por que agora se ouve falar do Riozinho como o “point” do momento na televisão? E Florianópolis aparece em novela como tendo muita terra a ser ocupada? Os telespectadores locais sentem-se envaidecidos... Poxa!... Minha terra na TV!!!
É o investimento em marketing das construtoras e empresariado que atuam no mercado imobiliário e de eventos, agindo de forma muito bem planejada e concatenada, já a um bom tempo, com a elite política local. 
Depois de tudo vendido e construído, contudo quem veio de fora vai embora xingando e falando mal, e  a população local ( as pessoas que de fato tem ou criaram vínculo com a terra) fica com a conta a ser paga.


MEGA LIXO DO SHOW

É o caso do mega show internacional programado para fevereiro.
Em São Paulo, o Maeda, que tem espaço de uma grande fazenda para abrigar mega eventos, com equipe fixa, banheiros muito bem planejados, tratamento de esgoto ecológico, com exigente controle do uso dos recursos locais, declarou que não deu conta. O pós mega show deixou um rastro de destruição que deu grande trabalho para recuperação.
Imagine, então, um mega show na praia do Campeche?
Sem infraestrutura nenhuma, sem controle algum de uso de espaço- além de ser um bairro residencial e  a praia, área de preservação.
Ganham os empresários, a “prefeitura” que “aluga” a praia, os músicos, os publicitários e a empresa de bebidas... O transtorno do trânsito, já caótico, a invasão de carros em ruas sem capacidade de absorver o tsunami de quatro rodas, o “day after” ou os “days after” ficam para a população local. A sujeira na areia, as marcas dos baladeiros, as dunas e restingas invadidas e danificadas ficam de lembrança. Além, o que é pior de tudo, do caminho sem volta que se abre...


ATITUDE

É um momento delicado... Muitas pessoas que se dizem preocupadas com a preservação de nossa ilha, de nossas praias, da vida e ecologia são expostas agora a uma grande prova... 
Enfrentam a tentação. 
Olhos brilhantes, falam do tal evento com paixão... o B...H... vem aqui!
É difícil vencer a tentação, não?
Não se conseguir dizer um não a um prazer...

A lição também pode ser a mais dura...
Depois... foi.

Raquel Macruz

CAMPECHE URGENTE!!!




E vem mais bomba!!!
Foram dezenas as denúncias!!!
Derrubaram o Bar do Seu Chico sob alegação do mesmo encontrar-se em área protegida... Muito bem, o empreendimento "Essence" iniciou a construção de uma passarela até a praia e, pelo que foi apurado, iriam construir um deck, lá também!
Por que será que tiraram o bar do seu Chico de lá?
Coincidência?
Construção da passarela e deck planejados para o local onde ficava o bar do Seu Chico e nas dunas, respectivamente!
Após denúncias e protestos, o material foi todo retirado do local!
ANTENA EM ESTADO DE ALERTA!!!
Conte com o apoio do MOSAL, Capeche!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A lei do caos


Uma ação com o objetivo de frear o crescimento desordenado em duas APPs (áreas de preservação permanente) no Norte da Ilha, uma localizada no Papaquara (em Canasvieiras) e a outra no Morro do Mosquito (nos Ingleses) foi realizada pelo Grupo de Prevenção a Desastres de Florianópolis nesta terça-feira (11 de janeiro). Além da questão da ocupação irregular da área, houve também denúncia de acúmulo de lixo, poluindo a área de preservação permanente e aumentando a chance de proliferação de doenças.
A situação pode ser explicada pelo fato de que uma parte da população local dedica-se à coleta de recicláveis, atividade exercida sem apoio do poder público, o que implica na ausência de instalações adequadas, ausência de orientação e controle, bem como falta de recursos que viabilizem a destinação do material rejeitado, provocando o acúmulo de lixo na área.
Não é por menos que o MOSAL insiste tanto no modelo descentralizado com profundo controle social, tanto no que se refere ao esgotamento sanitário como na questão dos resíduos sólidos.

A MPB Engenharia, contratada da prefeitura, apresentou no PMISB, quatro grandes centros de recepção, triagem e encaminhamento de materiais recicláveis com outros centros menores de coleta espalhados pelos bairros. O MOSAL defende a criação de centros de recepção, triagem e destinação completos em todos os bairros, valorizando e dando autonomia às associações de catadores das diversas regiões da cidade.

Por outro lado, o caso de poluição do Rio Papaquara não tem nada de novo. Denúncias de poluição por esgoto e óleo, provenientes de condomínios e oficinas presentes na região foram feitas já em 2005.

Em 2009, pesquisa sobre a qualidade da água na bacia hidrográfica do rio desenvolvida pela IF-SC e o ICMBio comprovou que o rio era seriamente afetado pelo despejo de esgoto. Houve denúncia de que poluição era causada pela ETE de Canasvieiras.

Não há como aceitar as metas sugeridas pelo PMISB, que empurram soluções com a barriga, pela falta de vontade política e interesses lobistas, em NÃO resolver a questão do lixo através da reciclagem. Como assim? Bem, os olhos dos empreiteiros e empresários do lixo estão crescendo... Sai o aterro... entra o incinerador! Quem se importa com a ecologia, com o bom senso e com os catadores? A lei aprovada pelo Lula? Será mesmo que ela pega?
O MOSAL pergunta:

Quem precisa da energia dos incineradores quando tantas hidrelétricas já estão na pauta do dia? Não bastam as intenções de poluir mais ainda nossas águas com o projeto de saneamento centralizado com emissários, ainda teremos que conviver (viver?) com a poluição venenosa dos incineradores?
Mas, segundo a lógica em voga...  as perguntas feitas (pelo outro lado) são:”quem é que precisa da ilha preservada, mesmo? E de que valem esses catadores que andam carregados por aí, atrapalhando o trânsito e a paisagem? Eles só sujam os locais por onde se instalam, como é o caso das margens do Rio Papaquara. Mais vale encher os bolsos de dinheiro com a especulação, construções de grandes “obras”... não sou eu que vou morar aqui”...
Raquel Macruz
veja também artigo sobre incineradores no blog 

http://gertschinkediscuteosaneamento.blogspot.com/

domingo, 9 de janeiro de 2011

O lobby e as péssimas intenções das grandes empresas de incineração

Ao final do ano passado, quando da apresentação do PMISB, o MOSAL alertou a todos sobre o discurso feito pelo representante da MPB Engenharia, no qual declarava que "haveria de se buscar novas soluções ao aterro sanitário de Biguaçu", uma vez que a vida útil (???) do mesmo é de apenas mais alguns anos e diante da “constatação” de que apenas cerca de 4% do lixo é separado na cidade, dando a dica de que o objetivo proposto pelas comunidades de se atingir a meta de 60% em 20 anos é impossível ( principalmente, diante da falta de interesse e vontade política para que tal aconteça), e acenando de forma velada, a construção de incineradores como alternativa à urgência do problema do lixo na cidade.
O que parecia ser uma ilação, por parte do MOSAL, pode agora ter sua confirmação no artigo de Washington Novaes abaixo postado, com alguns trechos tidos pelo MOSAL como relevantes para alertar nossos membros e simpatizantes sobre a denúncia feita anteriormente.
O forte lobby que, ao mesmo tempo dá garantias de lucros aos empresários do lixo, dando a eles larga margem de tempo de funcionamento dos aterros sanitários até que se restabeleçam no mercado, sem prejuízos, é o mesmo que atuará para a construção de incineradores como “solução”, trazendo como bandeira, mais do que antiecológica e cara, a incineração do lixo com dupla função: “desaparecimento” do lixo e fonte de produção de energia através da queima do mesmo. 
É a sustentabilidade política do lucro do empresariado indo, uma vez mais, na contramão das soluções adotadas em países, onde o desenvolvimento ecologicamente orientado é levado a sério.


Raquel Macruz

O lixo, agora entre avanços e dúvidas

07 de janeiro de 2011 | 0h 00 Washington Novaes - O Estado de S.Paulo 


Dois dias antes do último Natal, ao regulamentar por decreto-lei a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que já sancionara, o então presidente da República, acertadamente, incluiu a não geração do lixo, a redução, a reutilização, a reciclagem e o tratamento de resíduos sólidos como opções prioritárias, antes de se pensar em incineração. Restabeleceu, assim, a direção correta, ameaçada pelo Senado, que, ao aprovar o projeto da política, suprimiu dispositivo que só permitia a queima de resíduos sólidos quanto esgotadas as outras opções. O projeto deveria ter voltado à Câmara dos Deputados - já que fora modificado. Mas não se fez isso, como já acontecera com a Lei da Ficha Limpa. O projeto foi à Presidência e ali sancionado, sem nenhum reparo.
Agora, corrige-se a má direção, mas ainda com uma ameaça no ar: o decreto-lei deixa uma brecha ao estabelecer que "a recuperação energética" de resíduos sólidos "deverá ser disciplinada em ato conjunto dos Ministérios do Meio Ambiente, das Minas e Energia e das Cidades", no máximo, em 180 dias. Embora ovacionado pelos membros de cooperativas de catadores ao assinar o decreto durante congresso que reunia seus membros, o então chefe do governo federal deixou essa brecha, que pode até prejudicá-los. Porque cabe perguntar: que acontecerá no ato disciplinador, sabendo-se a força dos lobbies de empresas de incineração de lixo, quase todas ligadas a megaempreiteiras da área de construção, hoje com forte influência nas mais altas políticas brasileiras, principalmente nas áreas de energia, projetos habitacionais e até meio ambiente (vide licenciamento de controvertidas hidrelétricas na Amazônia)? Corretamente, porém, o decreto distingue da incineração de resíduos o aproveitamento em biodigestores ou a utilização de gases oriundos da decomposição de matéria orgânica em aterros sanitários.
De qualquer forma, além de estabelecer aquelas prioridades, o decreto-lei prevê penalidades se não cumprida a obrigação de coleta seletiva (44% dos municípios brasileiros não a fazem) e a logística reversa que torna obrigatório o retorno aos fabricantes de itens como pilhas, pneus e produtos eletrônicos, entre outros. Haverá multas pesadas, de até R$ 50 milhões, para quem lançar resíduos sólidos em locais como praias ou não der destinação adequada a resíduos perigosos. Será obrigatória a substituição de lixões (existentes em pelo menos 50% dos municípios) por aterros, assim como a elaboração de planos de gestão também nos municípios e Estados. A coleta em qualquer lugar precisará, no mínimo, separar lixo orgânico (úmido) do lixo seco, para facilitar a reciclagem. E as cooperativas de catadores - há cerca de 1 milhão deles no País - terão linhas preferenciais de financiamento.
É um terreno no qual precisamos avançar muito e com urgência. As usinas de reciclagem do poder público no País só reciclam entre 1% e 2% do lixo domiciliar e comercial (o total é de pelo menos 230 mil toneladas diárias, segundo o IBGE 2002). A situação - como tem sido dito tantas vezes neste espaço - só não é mais dramática graças à atuação desse milhão de catadores, que, sob sol e chuva, sete dias por semana, recolhem e encaminham a empresas que os reciclam mais de 30% do papel e papelão e parcelas consideráveis do plástico, do vidro, do pet, do alumínio e de outros materiais.
Mas os catadores precisam de projetos integrados em que, com financiamentos públicos, tenham equipamentos adequados de coleta seletiva (caminhões com contêineres separados para lixo úmido e seco), convênios remunerados pelas prefeituras, além de usinas de reciclagem onde possam transformar papel e papelão em telhas revestidas de betume (para substituir com vantagens as de amianto), reciclar o PVC e produzir mangueiras pretas, compostar o lixo orgânico e transformá-lo em fertilizante, moer o vidro e encaminhá-lo para recicladoras, assim como latas de alumínio. Onde isso é ou já foi feito (como em Goiânia), a redução de lixo encaminhado ao aterro chega a 80%, com enorme economia para o poder público, livrando-o da dependência de grandes empresas, que hoje recebem mais de R$ 15milhões por dia para coletar e levar os resíduos para aterros ou lixões.
Esse processo permite também evitar o desperdício de materiais. Já se mencionou aqui estudo da Unesp de Sorocaba concluindo que 91% dos resíduos contidos no lixo de Indaiatuba (mais de 100 toneladas/dia) seriam reaproveitáveis ou recicláveis. Permitiria ainda aliviar parcialmente o drama das grandes cidades brasileiras, quase todas com seus aterros esgotados ou próximos disso e, alegadamente, sem recursos para implantar novas unidades. A partir daí, surge a pressão das empresas de incineração. E por esse caminho o Recife já parte para uma usina de incineração de 1350 toneladas diárias (no momento, com licença ambiental embargada pelo município do Cabo). Unaí (MG) tomou o mesmo caminho. Barueri já está promovendo licitação para incinerar 750 toneladas diárias. São Sebastião ameaça seguir o mesmo rumo, assim como Brasília e a Baixada Fluminense (nesta, inclusive, com um projeto em Santa Cruz para incinerar resíduos perigosos).
Muitos estudiosos da área, como Cícero Bley Jr., já se cansaram de citar os problemas da incineração: custos muito altos, emissão de cancerígenos como furanos e dioxina (a não ser que a temperatura esteja acima de 900 graus - o que é difícil com a mistura de lixo úmido, que baixa a temperatura), produção de escória altamente perigosa (com metais pesados e outros tóxicos, que são carreados para os rios), geração de gases em proporção maior do que em usinas termoelétricas - entre outros problemas. Não é acaso que a resistência a esse processo cresça no mundo e já haja países que o proíbam. Sem falar em dependência tecnológica.
Vamos ver agora o que farão os três Ministérios encarregados de regulamentar a "recuperação energética" de resíduos.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Lixo de Florianópolis VALE OURO no mercado da iniciativa privada

Por que será que as leis do lixo não pegam?
Por que depois de tantos e tantos anos falando-se em reciclagem, apenas 4% do lixo é separado na cidade?
E você acha que adianta ser voluntário da COMCAP para dar exemplo?
Você se lembra do episódio da licitação do lixo em Florianópolis no início do ano passado?



Licitação ilícita do lixo de Floripa (Ana Echevenguá- 2010)


Temporada de verão: a capital catarinense está cheia de turistas. Quem desconhece os nossos problemas, compra a propaganda midiática de que aqui é o paraíso e decide gastar seus tostões nas nossas praias.
Isso é ótimo para os interessados no lixo da capital. Cada pessoa produz, em média, de 800 gramas a 1 quilo de lixo por dia. Segundo informações contidas no website da Prefeitura, Florianópolis produz, no período de dezembro a março de cada ano, 466 toneladas/dia (14 mil toneladas/mês). E, de abril a novembro, 383 toneladas/dia (11,5 mil toneladas/mês)1.
Lixo é dinheiro! A limpeza urbana, no Brasil, movimenta anualmente mais de R$ 17 bilhões – dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais.
E o lixo nosso de cada dia precisa ser coletado, transportado, tratado, depositado… Pagamos – e pagamos bem caro – por isso!
Janeiro, mês de recesso, férias, … Mas o processo de licitação do lixo de Floripa estava nas ruas. Mas a marcha deste processo, “que tem por objeto contrato que envolve algumas dezenas de milhões de reais”, foi suspensa – liminarmente – em 14 de janeiro de 2010, pelo Juiz de Direito Hélio do Valle Pereira2. O Magistrado acatou a tese de que “apenas uma empresa, aquela hoje aqui já atua, deteria a possibilidade de atender a todos os pontos do objeto licitado”.
Bem, trocando em miúdos, há fortes indícios de que o edital foi encomendado. Ou seja, elaborado para beneficiar a atual empresa que trata os resíduos da Grande Florianópolis. Aquela que está sob investigação da Polícia Federal, cujos diretores foram presos na estrondosa Operação Dríade3, no final de 2008. Lembram disso?
Ana Echevenguá, advogada ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação, presidente do Instituto Eco&Ação e da Academia Livre das Água 


12 setores exigem medidas urgentes para País avançar

Lourival Sant’Anna - O Estado de S.Paulo – 31.12.10

...Problemas crônicos e estruturais tornam o atual crescimento insustentável, condenando o Brasil à estagnação e ao atraso, se nada for feito. Essa é a má notícia. A boa notícia é que a maioria dos obstáculos pode ser removida com mudanças relativamente simples, ditadas pelo senso comum, que não esbarram necessariamente em interesses sedimentados e dispensam até mesmo a sólida maioria que o governo Dilma Rousseff terá no Congresso....O Estado examinou, com 62 especialistas, além de estudos preparados por entidades, 12 setores estratégicos, dos quais dependem o crescimento e o desenvolvimento sustentáveis do Brasil...
...O Estado examinou, com 62 especialistas, além de estudos preparados por entidades, 12 setores estratégicos, dos quais dependem o crescimento e o desenvolvimento sustentáveis do Brasil...
4. SANEAMENTO
Diagnóstico
Lei aprovada em 2007 define o marco regulatório do saneamento, delegando a titularidade aos municípios. Empresas estaduais, a maioria mal gerida e sem recursos, respondem por 70% do setor. O abastecimento avançou muito: 79% dos brasileiros têm acesso a água tratada. Mas apenas 44% são atendidos por esgoto, do qual 29% é tratado. São necessários R$ 255 bilhões de investimentos para universalização do esgoto e da água tratada. Mantido o atual ritmo de investimentos, levaria de 30 a 40 anos. Em média, desperdiça-se 40% da água em vazamentos na rede. Todas as bacias hidrográficas, da Bahia ao Rio Grande do Sul, estão em situação crítica por causa da poluição. Doenças causadas pela contaminação da água respondem por 60% das internações de crianças nos hospitais públicos e por 80% de suas consultas no SUS. Prejudicam o desenvolvimento cerebral e a capacidade de aprender.
Soluções
Rever o Plano Nacional de Saneamento, restringindo-o a princípios genéricos e deixando que municípios definam os detalhes de suas regras, como prazos, índices de desempenho e se terão agência reguladora própria ou farão convênio com municípios da mesma bacia hidrográfica ou com o Estado.
Ajudar os municípios a elaborar sua regulação e planejamento, em caso de agência própria, e a capacitar funcionários.
Orientar os municípios na contratação de empresas privadas prestadoras de serviços, que têm mais capacidade de gestão.
Estimular Parcerias Público-Privadas, aumentando a participação do setor privado de 10% para 30% em dez anos (a dos Estados é hoje de 70% e a dos municípios, 20%).
Agilizar a aprovação de financiamentos pelo BNDES e pela Caixa Econômica Federal, que hoje demora um ano ou mais.